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Carlos A MessaPsicólogo Carlos Messa é autor do blog Filhos ( http://psic.com.br/blog/), psicólogo e diretor da organização de interesse público - Ação Ciência e Saúde Social. no Desabafo, ele escreve artigos e esclarece dúvidas sobre Comportamento e Educação
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O Momento de Engravidar21/04/08
Assuntos Abordados neste desabafo: Mãe
Algumas jovens, moças e outras não tão jovens me consultam quanto à dificuldade de tomar uma decisão em relação ao melhor momento para engravidar. Boa parte delas com ou sem filhos ainda, contrapõe a gravidez e filhos à carreira. São comuns as menções à carreira, profissão, emprego. As questões normalmente se situam num eventual "sacrifício" da carreira em prol dos filhos ou em "prejudicar" a carreira ou a vida profissional em função dos filhos.
Quando a pergunta parte de alguém que não tem filhos, não engravidou mas está diante dessa decisão, sinto-me mais à vontade, acreditando na força de quem está à minha frente, para ousar ser um pouco duro e devolvo a pergunta, invertendo os fatores antagônicos, dizendo por exemplo: - "Você sacrificaria seu filho em favor da carreira?". Não é incomum a ocorrência de respostas raivosas e isso não me incomoda porque sei que a raiva me tem como alvo porque me coloquei como representante do dilema que aparentemente é insolúvel e, pior, expus a possibilidade de uma atitude inadmissível. Como estamos distantes e não corro o risco de ser atingido por um cinzeiro, proponho a você essa questão: - "Você sacrificaria o equilíbrio emocional, o desenvolvimento saudável do seu filho, pela carreira profissional?" Só há uma resposta: - Não. Apesar de termos essa resposta na ponta da língua, no andar desta nossa carruagem, o ambiente que nos envolve vai nos levando na direção contrária e vamos fingindo que não percebemos. Nas grandes atrocidades coletivas é assim que acontece. Será que em sã consciência podemos afirmar que cada pai, cada mãe alemã que vivia sob o terceiro Reich era um assassino bestial? Certamente a grande massa foi se deixando levar, da mesma maneira que estamos nos deixando levar agora e apenas em alguns momentos o "sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar" (da canção Revelação – Clodô e Clesio). Nos sentimos lesados mas impotentes diante da realidade. É em função disso que talvez a melhor resposta a essa pergunta, hoje, seja: o melhor momento para engravidar é quando surge esse desejo e paralelamente há condições materiais necessárias. Isso, no entanto, não é tudo. É necessário que tenhamos consciência de que esse não é um problema individual na maioria dos casos, e sim coletivo e deve ser tratado de forma ampla, primeiro conhecendo as necessidades de um bebê para que ocorra o desenvolvimento saudável, depois trabalhando para que a sociedade desenvolva mecanismos "ecologicamente adequados" ao desenvolvimento humano. Vivemos em um momento histórico de riqueza econômica e de conhecimento sobre o Desenvolvimento Humano. Apesar disso nossa sociedade vem sacrificando das mais diversas maneiras nossos filhos em favor do trabalho. Com isso ela sacrifica também seu próprio futuro. Vamos para um exemplo corriqueiro: A classe média sempre teve o "Shopping" como um local seguro para onde aceitava que seus filhos adolescentes fossem, acreditando que lá não haveria riscos. Isso já deixou de ser verdade não só pelos assaltos, estupros mas também pelas brigas de "gangs" re-delimitando esse território como não mais pertencente à classe econômica "x". Isso não te lembra uma sociedade que se divide de forma grotesca como mostrou alegoricamente a série "Mad Max"? A grande maioria das mulheres das classes B, C e D tem seu direito ao desenvolvimento saudável dos filhos negado. Não se trata de uma ação dirigida contra as mulheres pois as consequências atingem também os homens e todo o conjunto social no médio prazo. Que tal termos uma primorosa estrutura de apoio ao desenvolvimento infantil, do período de gestação até os seis anos de idade? Que tal termos classes com no máximo 15 alunos, na primeira série do Ensino Fundamental? Atuo em uma Organização de Interesse Público, a Ação Ciência e Saúde Social , que estuda e busca alternativas para essas questões, mas essa é uma tarefa para todos pois enquanto a sociedade como um todo não se mobilizar para essa questão, poucas melhorias serão implantadas. |
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