Por que ser mãe é tão complexo? Por que quando eu me tornei mãe pela primeira vez, acabei por viver uma crise que eu nunca pensei que viveria? Depois de pensar muito, conclui que é porque ser mãe é a tarefa mais exaustiva, física e psicologicamente, que existe na vida de uma mulher.
Ser mãe é ser tudo ao mesmo tempo. É exaustivo até falar sobre o que é ser mãe. … é injusto ser mãe hoje em dia. Por que uma mulher não pode optar por ser apenas mãe e abrir mão de trabalhar? Já ouvi pessoas, até mulheres, dizerem que “emburrece”, não, não acredito nisto, acho que tentar fazer tudo de uma vez, só porque todo mundo diz que é assim e no fim se sentir culpada por não fazer nada direito, isso sim emburrece, aliás acho que isso é a verdadeira burrice, a burrice do aceitar e tentar se enquadrar no esquema mais do que furado do “ser mãe é padecer no paraíso”.
Porque se ser mãe é padecer no paraíso eu tô fora, padecer não é comigo não, muito menos tão passivamente e se eu tiver que padecer vai ser gritando até as minhas últimas forças “GENTE, ME AJUDA EU TÔ PADECENDO AQUI SABIAM?”.
Aliás, eu acho que esta situação toda só chegou até aqui por passividade mesmo, afinal eu duvido que eu sou a primeira mulher a viver o maior conflito da minha vida por causa da maternidade. Ler um livro, ou conversar com outras mães de primeira viagem me ajudou muito a entender que eu não estava ficando maluca, doida varrida por dizer que ser mãe estava sendo muito mais difícil do que eu imaginava, não pelas tarefas chatas e deliciosas que envolve o cuidado de um bebê, mas por me cobrar e ser cobrada de todos os lados, inclusive do comercial da margarina, ser uma excelente profissional, uma esposa linda de unhas feitas, celulite nem pensar, uma pessoa antenada no que está acontecendo no mundo, uma ávida visitadora de parentes e claro uma anfitriã de fazer inveja a muita Martha Stewart.
Quando no meu mundo de possibilidades e impossibilidades eu, depois de muitas tentativas, me dei conta que era verdadeiramente impossível para qualquer ser humano desempenhar tantas tarefas ao mesmo tempo com a perfeição subentendida, sinceramente eu fiquei uma fera por ter acreditado que fazer tudo era simplesmente “meu trabalho” ou “trabalho de mulher” se você quiser ficar mais irritada ainda, fiquei realmente furiosa comigo por ter me deixado levar por essa ladainha, com todos os homens inclusive meu marido por me fazer acreditar, nos pedidos mais sutis, que tudo dentro da casa era minha obrigação saber onde estava, se faltava, ou se sobrava.
Mas eu fiquei mais brava ainda com as mulheres, todas, que passam por isso tudo e ainda ter coragem de dizer que ser mãe não deve mudar sua vida, que você deve continuar sendo tudo e fazendo tudo e apenas acrescentar uma tarefinha de “ser mãe” na sua lista de afazeres. Como pode alguém dizer isto, se ser mãe muda tudo, tudinho. Ser mãe mostra como nós mulheres já estávamos atarefadas demais, sobrecarregadas demais e quando aparece um tarefa que realmente vale a pena gastar seu precioso tempo, você descobre que não o tem, porque já o gastou todo, à vista ou a prazo, em milhares de outras tarefas.
Adoro meu trabalho, se eu gostasse menos seria mais fácil, mas não, eu faço o que eu gosto. Mesmo assim meu trabalho já está na berlinda faz um tempo, eu não sei mais quanto tempo eu aguento ficar me sentindo uma mãe ausente e uma profissonal não comprometida com a empresa, isso porque eu saio mais cedo, para dar janta, dar banho, brincar, nanar, beijar e ser mãe pelo menos três horas por dia, da maneira que eu acho certo ser mãe. Ok, então vou colocá-la no berçário de novo ou não...
Acho que você tocou num ponto muito importante que precisa ser discutido, e que muita gente ainda não sabe ou finge não saber. É preciso dizer a estas pessoas que nossa vida muda completamente a partir do momento em que damos a luz. Após um pequeno período em que todas as atenções estão voltadas para as necessidades do bebê, começa a fase da frustração justamente pela impossibilidade de dar conta de tudo, ou de deixar nosso filho para outras tarefas. Na minha opinião, nos primeiros anos de vida a mãe deveria estar do lado de seu filho, para cuidar, compartilhar, ensinar, aprender, enfim, interagir plenamente. Tenho um filho de 3 anos e Graças a Deus tive a felicidade de até agora estar com ele. Não dá nem pra imaginar não ter visto seu primeiro passinho, primeiras palavras, primeira musiquinha que cantou, etc. Confesso que ficaria com ciúmes de quando ele acordasse ou precisasse, chamasse outro nome que não o meu. Melhor ainda é o retorno dele comigo, no carinho, aconchego, coisas que só a convivência dá. Declarei aqui a minha experiência não como uma crítica, pois cada uma tem necessidades próprias. Não critico ninguém e nem dou bola para criticas. Sou uma mãe muito feliz assim! Um abraço!
Bom, o meu filho vai fazer três anos e é exatamente como vc falou escreveu que eu me sinto a maioria das vezes.
Porém, não penso em deixar de trabalhar, não me sentiria feliz, então prefiro ser mãe estas poucas horas por dia e dar o melhor de mim no tempo que eu trabalho em um empresa, porque depois que se tem filhos, se trabalha 24 horas por dia.
Força e posso estar errada, mas pelo que senti, sua vontade não é de ficar em casa, aos poucos iremos conseguir conciliar tudo. Tenho esperança disso!!!!!!!
Olha, realmente eu queria ficar mais em casa, me sinto culpada toda vez que minha bb fica doente (ela fica bastante porque fica num berçário por 11h) mas não quero parar de trabalhar... sabe é realmente um dilema muito grande, eu sinto que nunca vou estar plenamente satisfeita pq sei que vou me arrepender de parar de trabalhar, mas vou me arrepender de não parar tbm....
A solução hj é reduzir as horas que eu trabalho e meu marido tbm, afinal quem disse que este dilema tem que ser só meu. Acho que o pior é isto, sentir que ela (minha bebê) é responsabilidade só minha, pq por mais que ele se preocupe fica sempre subentendido que eu devo saber tudo nos mínimos detalhes e repassar para ele só o que importa. Conversamos muito sobre isso e ele está entendendo que precisa participar tanto quanto eu. Por exemplo, as vacinas, consultas no pediatra, comprar o que precisa (remédios, comida, verduras, roupas) tudo isso apenas eu sei, apenas eu faço e não vem com essa de que ele paga, pq hj em dia não é mais assim, nós pagamos tudo juntos, nós vivemos uma vida juntos, nós temos um filha para cuidar. Acho que essa sobrecarga intensifica a crise.... Pelo menos preciso ter com quem contar....
Agora depois de muita conversa, estamos entrando num acordo... mas depois de muuuuuita conversa mesmo.
Concordo com a Andréia, minha filha tem 4 anos, e penso exatamente como ela. O mundo mudou, nossas vidas mudaram, e é preciso aprender a conciliar tudo. Minha filha nem eu somos menos felizes por isso. Força. Mas acima de tudo deve-se fazer o que o coração mandar. Boa sorte !
Sabe, eu concordo plenamente c/ seu cometário, acho q. após a "revolução feminista" ganhamos e perdemos ao mesmo tempo. Ganhamos independencia finaceira e ao mesmo tempo mais e mais tarefas a serem cumpridas..., perdemos o direito de sermos apenas mãe, temos q. ser também donas de casa, profissionais, amantes de nossos maridos e todas essas funções devem ser cumpridas c/ perfeição. Sabe, voltei a trabalhar ao término de minha licença maternidade, e sofri muito ter q. deixá-lo c/ a baba, pois preciso trabalhar, pois a vida não é fácil, queremos dar coisas boas p/ nossos filhos q. dependem de nosso dinheiro.Outro conflito q. tenho é em relação aos afazeres domésticos q. me estressam, se eu não trabalhasse fora teria que fazê-los todos sozinha, não contaria c/ ajudade de ninguem...
Acho q. nossa vida é assim cheia de conflitos, tudo tem seu lado positivo e negativo, mas vale a pena nós refletirmos e aprendermos c/ as experiências de outras mulheres, pois afinal somos frágil e ao mesmo tempo guerreiras. Q. Deus continue nos dando forças para sermos o q. somos!!!
Hummmmmm, que roda de conversa mais gostosa. Parabéns, meninas!!!!!
Sunny, prazer em conhecê-la seja super bem-vinda ao Desabafo! eu concordo com muita coisa que você escreveu porque de certa forma retrata a maternidade de agora. tudo ao mesmo tempo para ONTEM! Eu não acredito que temos que aceitar isso. Pelo contrário! A sensação que tenho é que estou em guerra, e detalhe, constante. Eu quero estar em casa, ficar mais tempo com minha filha e também gosto e preciso de trabalhar. É possível? Nem sempre, mas essa é nossa atual luta. Não só uma luta pessoal que nos transforma e nos coloca cada dia dentro de novos conflitos, mas também de cidadã no mundo em busca de saídas que facilitem mais nossos desafios. Acho que essa rede aqui já é um bom começo, mas não basta!!! Chorar também, ás vezes, alivia e muito, mas não basta! Crescer ao lado do marido com dialogos cada vez mais serenos em busca de compartilhar o dia a dia também contribui demais com nossa rotina, mas não basta. Há sem dúvida um grande desafio comum entre nós: lidar com essa balança infernal do tempo, da satisfação profissional e do ser mãe. Cada mulher vai achando seu jeitinho, mas eu acho que não basta! É preciso fazer mais, agora confesso que não sei por onde começar....
Também não sei por onde começar... Minha filha linda faz dois anos em julho. Ela é a melhor coisa da minha vida, mas confesso que estou EXAUSTA física e psicologicamente. Não quero parar de trabalhar, mas também sinto que cheguei no meu limite. Minha filha também está na escolinha desde 5 meses e tem essas doencinhas de escola. Fico culpada e pensando em largar tudo pra ficar só com ela. Mas também sei que minha vida seria ruim, pois, no trabalho, é o único lugar onde consigo ser eu mesma.(Isto quando não tenho que sair às pressas pra levá-la ao médico por causa de uma dor de garganta ou febre!)
No mais, só cobranças de todos os lados, principalmente AS MINHAS COBRANÇAS. Fico pensando porque, para tantas mulheres, parece ser tão fácil! Quando entro neste site, consigo me confortar um pouco, pois vejo que não estou sozinha. Acho que só quem passa por isto, pode compreender o que sentimos...
Enfim, também converso muito com meu marido, mas ainda não conseguimos um entendimento...Ele fala que eu me preocupo demais, complico demais as coisas, quero ser perfeita em tudo...talvez ele esteja certo. Mas como se livrar desta mania de perfeição, meu Deus, se parece que o mundo espera isso da gente? Gostaria muito de ficar só brincando, "curtindo" minha filhota. Mas quem vai dar banho, cortar as unhas, levar ao médico, trocar a roupa, dar comida, dar mamadeira, trocar a roupa de novo, contar história pra dormir, dar remédio, levantar a noite e dar colo por causa de um pesadelo...e lista é imensa..quem é mãe sabe!
E se fosse SÓ isso, ainda vá lá! Ainda tem a parte da atenção, das brincadeiras, dos passeios, dos almoços e jantares sempre tumultuados...
E ainda querem que a gente fique linda, escovada, bem humorada, bem disposta, cuide de todos os detalhes da casa e tenha disposição para ser esposa, amiga, ótima filha, profissional comprometida... Olha, não sei vocês, mas EU não consigo mesmo!
Meninas, é tão bom conhecer pessoas que estão passando pelo mesmo drama pessoal, pela mesma crise, que entende o que eu estou passando agora. É assim mesmo, meu marido fala que nem não preciso ser perfeita, mas qdo sai alguma coisa errada ou imperfeita só vejo olhares de reprovação por todos os lados, as pessoas cochixam entre elas (na maioria das vezes mulheres!) sobre o amassadinho na roupa do marido, ou a manchinha na manta do bebê (que não saiu na lavagem da máquina), ou a sua unha que não está feita, ou no seu cabelo que não está arrumado, ou na louça que está na pia.... qdo meu marido fica muito tempo sem cortar o cabelo minha sogra fala para mim "Nossa como ele tá feio com esse cabelo, pq vc não fala pra ele cortar?".... CREDO!! É um exagero de responsabilidades..... Por mais que ele vá ao mercado para mim, sou eu que preciso saber o que precisa comprar, o que tá faltando, ou sobrando.... não é atoa que não dá. Eu sou bem pesistente e teimosa, mas conclui dolorosamente que não consigo fazer tudo sozinha pq simplesmente é demais para mim... estou no meu limite, me sinto tomada pelas necessidades da minha filha, da minha casa, do meu trabalho.... me sinto sufocada pelas minhas obrigações, acima de tudo me sinto sozinha, solitária. Tbm não sei bem o que fazer, agora estou entrando num acordo com meu marido, pq além de tudo ele trabalha até tarde todos os dias. Ele vai passar a me ajudar mais, chegar mais cedo em casa, pq ele viu que isto não está fazendo bem para mim. Eu preciso de ajuda para entender quem eu sou agora, quem é essa pessoa que eu me tornei... e tentar me faze mais feliz. Obrigada por compartilhar comigo suas experiências, não existe nada mais confortante do que saber que não se está sozinha. Valeu mesmo!
Gostaria de "encompridar" a lista das confusas, culposas, sobrecaregadas. Embora tenha feito a opção de me dedicar os dois primeiros anos de meu filho exclusivamente a ele estou me sentindo exausta, sobrecarregada e sufocada. Ás vezes não me reconheço neste papel de mãe e fico me sentindo um fracasso pois gostaria de me dedicar a minha carreira e ao meu filho, mas no momento só consigo me dedicar a ele e isto me frusta demais pois gostaria muito de ser mais do que mãe e esposa; gostaria de ser eu. Acho que estou indo contra as ondas desta discussão. Mas é assim que me sinto. Enretanto como a Ceila falou cada uma va dando seu "jeitnho" como este bate papo me ajuda a "desgrilar". Valeu!
Ola amiga! Ia começar a fazer uma pós-graduação quando descobrir que ja estava com dois meses de gravides. Na epoca ja estava desempregada quase um ano, então tive que dar um stop em tudo. Hoje faço de tudo que é possivel para que eu não me perca 100% de mim. Minha filha fica 4 horas na escolinha. Essas horas, deixo bem claro a quem gostar ou não, que são as minhas horas, aproveito para malhar, fazer unha, cabelo, encontrar com as amigas, fazer comprinhas, vender minhas semi-jóias e roupas (não é o meu foco profissional, mais é melhor que nada)...enfim...vivo o meu presente da melhor forma que consigo. Não vou dizer que as vezes não entro em crise, estaria mentindo. As vezes da saudade do tempo que euc tinha todo o tempo do mundo, mais quando vejo minha filha linda com seu jeitinho, cantarolando ou brincado, dizendo com aquela vozinha linda MAMÃE, agradeço a Deus por ter me dado ela e sigo em frente, um dia de cada vez, com sua rotina, tarefas, etc, etc, etc...Felicidade!!!