É impressionante como somos vulneráveis aos estigmas que somos expostos, seja pela mídia, na esquina de casa ou pela internet. Escrevo isso porque tenho surpreendido a mim mesma pelas minhas atitudes diante dos desafios que enfrento na escola da minha filha. A Maria Luiza passou por uma fase caótica de não querer ir mais à escola, a qual ela frequentava desde 6 meses. Sangrava por dentro, mas ainda assim me mantive firme e rígida de não deixá-la em casa ou com a avó.
Depois de muitas conversas com a Malu fui identificando situações e circunstâncias que ela vivia que me incomodaram profundamente, mas ainda assim continuava em silêncio sofrendo por dentro. Hoje resolvi enfrentá-las e conversei com a diretora da escola que não só me ouviu como compreendeu minhas aflições e ainda me mostrou algo extremamente novo para mim. Fiquei tão satisfeita com a forma que fui acolhida que comecei a me questionar porquê só agora? Por que não tive coragem de levar os problemas e determinadas situações antes para escola?
E percebi o quanto os tais estigmas sobre educação influenciavam a mim. Eu não só me acomodei por acreditar numa convenção social de que a escola no Brasil é deficiente, não sabe ouvir os pais, busca se defender de tudo que apresentamos como também me tornei um agente dessa convenção. Ou seja, a partir do momento que acredito que não vale a pena tentar, me calo, me distancio e perco a chance de conhecer o desconhecido. E pior perco a oportunidade de reconhecer a mim mesmo.
Na reunião, ficou bastante claro o quanto determinadas situações realmente provocaram repulsa na Maria Luiza, mas minha atitude com minha filha também contribuia para ela agir daquela maneira. Sempre dediquei a parte da manhã à minha filha. Cada dia era uma nova brincadeira e de repente sem nenhuma justificativa mudei meu hábito. E não ouvi da Malu choro nem presenciei seus típicos teatros. Pelo contrário. Minha filha chegou a dizer: "mamãe, sei que você precisa trabalhar, mas pode assistir a Lola enquanto eu tomo dedeira". Essa compreensão da Malu nunca soou como alerta. Confesso que tinha cosciência da minha falta de tempo, buscava uma rotina mais adequada, porém somente a escola me mostrou o quanto aquela menininha estava preocupada em não atrapalhar minha rotina, em cuidar um pouco de mim. Enfim, enxergo o sinal vermelho. Mas porque só agora?
Não tenho dúvida de que o receio e a covardia são algumas das razões pela minha inércia. Tenho frequentado algumas listas de mães e a sensação é de que a escola age sempre na defensiva e essa percepção me paralisava antes de agir pela minha filha. Depois de participar do Educacamp, um bate-papo com educadores, realizado na semana passada pelo Desabafo de Mãe, Cybele Meyer e Lúcia Freitas, resolvi encarar o desconhecido e percebi o quanto muitos pais podem agir da mesma maneira silenciosa ou ainda cheia de dores com uma abordagem triste, de guerrilha e poderes. E, por isso, desabafo aqui em busca de compartilhar esse aprendizado.
Não podemos ser apenas coadjuvantes da educação, mas precisamos assumir nosso papel de formadores de seres humanos, que frequentam escolas, clubes, teatros, cinemas, shoppings. Somos responsáveis por esse ambiente escolar, por identificar os laços sociais que são criados por nossos filhos a partir das amizades e da relação com os professores. Fazer parte desta história exige conhecimento e informação para que sejamos capazes de conversar em busca de uma educação melhor para nossos filhos.
Nessa minha busca pelo desconhecido tenho deparado com histórias maravilhosas, lutas heróicas que se fossem difundidas por nós poderiam amenizar o retrato negativo da educação do nosso País. O caminho é árduo e longo, mas não faltam boas intenções perdidas diante do estigma tão negativo que se construiu no decorrer de décadas.
Uma delas, entretanto, gostaria de ressaltar porque deixa claro o quanto é fundamental disseminar informação aos pais. Trata-se de um estudo feito pela psiquiatra, terapeuta junguiana e doutoranda da UFRJ, Dra. Eleanor Madruga Luzes, que propõe a inserção da disciplina da Ciência do Início da Vida como parte do currículo escolar com objetivo de formar pais conscientes para desenvolvimento do ser humano. Cito apenas quatro lições que aprendi ao começar a ler o doutorado de Eleanor que mostra que para nos tornamos pais é preciso: -aprender a conhecer -aprender a fazer -aprender a viver em conjunto -aprender a ser Já parou pra pensar como age diante da necessidade dessas novas formas de viver, ops, de aprender...
Oi Ceila, atualmente tenho passado pelo mesmo problema. O meu filho, adorava ir para a escola, só que agora, começa a chorar já para trocar de roupa. Como ele fica o dia todo na escolinha, o choro começa às 7h e quando chega na porta, ele não quer nem sair da cadeirinha. Só que ele não fala tudo ainda, então não tenho nem como perguntar. As tias já disseram que ele é muito ciumento, as vezes acho que isso está acontecendo devido a ele não ser mais de colo. O que eu devo fazer?
Oi Ceila, eu passei por isso com meu filho. Quando ele estava na creche que foi desde bebe, e ficava em periodo integral, ele começou a fazer birra, a chorar muito, e não era teatro, eu podia perceber que alguma coisa o incomodava.. Não que havia algum problema na creche, pelo contrario, se pudesse ele estaria lá até hoje. Mas ele estava cansado daquela rotina, entrar as 7 horas, ficar sem os pais, sem casa dele, sem os brinquedos, sem poder fazer o que ele queria, porque lá ele tinha uma certa rotina.
Daí decidimos deixa-lo meio periodo, e deu certo.
Depois precisamos coloca-lo numa escolinha (3 anos), ele foi bem, primeiro dia tudo tranquilo, primeira semana, e primeiro mês, depois foi batendo um desespero, fui diversas vezes, ficava com ele, mas não teve jeito, sentei com a escola, e achei legal, ela me orientar a voltar com ele para a creche, porque forçar não seria bom para ele.. voltamos, e deu tudo certo..
Hoje ele já esta na escolinha mesmo, colocamos em outra, mais tradicional, maior, que ele possa estudar por muitos anos.. e tá tudo bem, se adaptou, está ótimo.
Cabe a nós perceber e fazer o melhor para nossos filhos, eles são muito espertos, inteligentes, e se algo não vai bem, logo dão um sinal...
O melhor caminho é o dialogo...
Bjs
Oi Andrea,
Se conseguir passar uma horinha na escolinha na hora do almoço seria legal sem que ele te vesse pra ver como ele está. dar uma passadinha surpresa, sabe. fiz muito isso quando a Malu era menor. Também fale com ele sobre os coleguinhas. Eu sei o nome de todos coleguinhas da Malu, então, eu vou conversando com ela sobre cada coleguinha, cantando musicas, brincando pra tentar ver como é relação dela com os amigos. foi assim que descobri onde estava o maior problema dela. quanto mais informação a gente tiver antes de levar q/q coisa para escola, melhor. Tem muitos recursos que podem ajudar a criança a expressar como desenho da tv, o teatrinho, a ação de outras crianças em shoppings, enfim, tente observar aquilo que ele gosta pra conversar com ele. Tem um desenho na TV cultura que não lembro o nome, mas são vários bichinhos na escola que aponta muitas situações, eu assisto com ela e aproveito para perguntar as coisas. como seu filho deve ser menor, talvez os brinquedos possam te ajudar a descobrir algo que o incomoda na escola. Agora se tudo isso não for possível, converse bastante com a diretora da escola, mostre suas preocupações, deixe claro que aquilo te incomoda e que você gostaria de entender as razões do seu filho não estar bem. Geralmente, elas respondem que é normal, que ele fica bem no restante do dia, mas parece que tem a palavra ciumento no discurso, né. cíumes do que? porque? quando ele tem ciumes dos outros? pode ser que seja apenas uma fase. como ele se comporta fora da escola?
Ceila, mulher guerreira! Adorei conhecer você.
Que boas notícias sobre tua conversa na escola. Parece que esse é um segredinho mágico: conversar, conversar e conversar. Com as crianças, com o marido, com a empregada, com a escola. E com a gente mesmo, principalmente. Quando a gente se abre para a escuta, começa a perceber coisas que nem imaginava, e aí fica mais fácil mudar o que está incomodando.
Agora, outra coisa boa é apostar no tempo: às vezes tem coisas com as crianças que não estão ao alcance da nossa compreensão - será que dá para a gente saber TUDO sobre elas? nós que não sabemos tudo nem sobre a gente mesmo? então, tem um momento de mostrar que está presente, que está disponível, e deixar o mundo seguir, pois a criança, em suas variadas relações no mundo, acaba dando conta do incômodo.
um beijo grande, espero que a gente se encontre outras vezes.
puxa ceila, que texto legal!
tenho que confessar que não gosto da escola da Bia. ela, ainda bem, adora e vai numa boa. minhas restrições são muitas e começam pela professora, que é uma amor, mas fala português errado, assim como outras pessoas da escola. já recebi bilhetes da coord. pedagógica com erros grosseiros de concordância verbal, fora os gerundismos constantes. na última reunião da escola, reclamei dessas coisas e tbém dos passeios que são sempre para os mesmo lugares, que não acrescentam em nada; não rola um teatro, um museu, enfim, nada que eu considero educativo ou estimulante.
depois de ler o seu texto, percebi que não adianta eu achar tudo isso e não falar diretamente com a escola e com certeza vou fazer isso quando ela voltar das férias. valeu! bjs.
Lilian, que honra ter um comentário seu por aqui. Adorei te conhecer pessoalmente. E muito obrigada pelos conselhos e visitas. gostei muito dessa sugestão da hora da criança. é um bom artigo pra ser escrito aqui por especialistas, o que acha?
Erika, querida,
então tá na hora de conversar urgente com a diretora com muita calma e sem apontar o defeito, mas expondo as aflições. elogie o trabalho e mostre a preocupação. é igual conversa com amrido, saca! vc sabe que o problema é do outro, mas não adianta apontar pq senão perderá a chance de ser ouvida e de ouvir. boa sorte e depois me conta como foi essa conversa. aliás, boa dica a sua vou escrever outro desabafo urgente sobre tema aqui e agora. já volto. bjkas e obrigada!