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CEILA SANTOS
Jornalista
35 anos
Mãe de Maria Luiza, 5 anos
São Paulo, SP
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Como você conversa na escola do seu filho?

04/07/2008
Assuntos Abordados neste desabafo: escola, Família

É impressionante como somos vulneráveis aos estigmas que somos expostos, seja pela mídia, na esquina de casa ou pela internet. Escrevo isso porque tenho surpreendido a mim mesma pelas minhas atitudes diante dos desafios que enfrento na escola da minha filha. A Maria Luiza passou por uma fase caótica de não querer ir mais à escola, a qual ela frequentava desde 6 meses. Sangrava por dentro, mas ainda assim me mantive firme e rígida de não deixá-la em casa ou com a avó.


Depois de muitas conversas com a Malu fui identificando situações e circunstâncias que ela vivia que me incomodaram profundamente, mas ainda assim continuava em silêncio sofrendo por dentro. Hoje resolvi enfrentá-las e conversei com a diretora da escola que não só me ouviu como compreendeu minhas aflições e ainda me mostrou algo extremamente novo para mim. Fiquei tão satisfeita com a forma que fui acolhida que comecei a me questionar porquê só agora? Por que não tive coragem de levar os problemas e determinadas situações antes para escola?


E percebi o quanto os tais estigmas sobre educação influenciavam a mim. Eu não só me acomodei por acreditar numa convenção social de que a escola no Brasil é deficiente, não sabe ouvir os pais, busca se defender de tudo que apresentamos como também me tornei um agente dessa convenção. Ou seja, a partir do momento que acredito que não vale a pena tentar, me calo, me distancio e perco a chance de conhecer o desconhecido. E pior perco a oportunidade de reconhecer a mim mesmo.


Na reunião, ficou bastante claro o quanto determinadas situações realmente provocaram repulsa na Maria Luiza, mas minha atitude com minha filha também contribuia para ela agir daquela maneira. Sempre dediquei a parte da manhã à minha filha. Cada dia era uma nova brincadeira e de repente sem nenhuma justificativa mudei meu hábito. E não ouvi da Malu choro nem presenciei seus típicos teatros. Pelo contrário. Minha filha chegou a dizer: "mamãe, sei que você precisa trabalhar, mas pode assistir a Lola enquanto eu tomo dedeira". Essa compreensão da Malu nunca soou como alerta. Confesso que tinha cosciência da minha falta de tempo, buscava uma rotina mais adequada, porém somente a escola me mostrou o quanto aquela menininha estava preocupada em não atrapalhar minha rotina, em cuidar um pouco de mim. Enfim, enxergo o sinal vermelho. Mas porque só agora?


Não tenho dúvida de que o receio e a covardia são algumas das razões pela minha inércia. Tenho frequentado algumas listas de mães e a sensação é de que a escola age sempre na defensiva e essa percepção me paralisava antes de agir pela minha filha. Depois de participar do Educacamp, um bate-papo com educadores, realizado na semana passada pelo Desabafo de Mãe, Cybele Meyer e Lúcia Freitas, resolvi encarar o desconhecido e percebi o quanto muitos pais podem agir da mesma maneira silenciosa ou ainda cheia de dores com uma abordagem triste, de guerrilha e poderes. E, por isso, desabafo aqui em busca de compartilhar esse aprendizado.


Não podemos ser apenas coadjuvantes da educação, mas precisamos assumir nosso papel de formadores de seres humanos, que frequentam escolas, clubes, teatros, cinemas, shoppings. Somos responsáveis por esse ambiente escolar, por identificar os laços sociais que são criados por nossos filhos a partir das amizades e da relação com os professores. Fazer parte desta história exige conhecimento e informação para que sejamos capazes de conversar em busca de uma educação melhor para nossos filhos.


Nessa minha busca pelo desconhecido tenho deparado com histórias maravilhosas, lutas heróicas que se fossem difundidas por nós poderiam amenizar o retrato negativo da educação do nosso País. O caminho é árduo e longo, mas não faltam boas intenções perdidas diante do estigma tão negativo que se construiu no decorrer de décadas.

Uma delas, entretanto, gostaria de ressaltar porque deixa claro o quanto é fundamental disseminar informação aos pais. Trata-se de um estudo feito pela psiquiatra, terapeuta junguiana e doutoranda da UFRJ, Dra. Eleanor Madruga Luzes, que propõe a inserção da disciplina da Ciência do Início da Vida como parte do currículo escolar com objetivo de formar pais conscientes para desenvolvimento do ser humano. Cito apenas quatro lições que aprendi ao começar a ler o doutorado de Eleanor que mostra que para nos tornamos pais é preciso:
-aprender a conhecer
-aprender a fazer
-aprender a viver em conjunto
-aprender a ser
Já parou pra pensar como age diante da necessidade dessas novas formas de viver, ops, de aprender...


 

Andrea L.B., 04/07/2008, 13:31 - Sao Paulo/SP
Kati Oliveira, 04/07/2008, 16:50 - Vitória/ES
Ceila Santos, 04/07/2008, 16:50 - São Paulo/SP
Lilian Starobinas, 06/07/2008, 12:44 - São Paulo/SP
Erika Almeida, 14/07/2008, 11:40 - são paulo/SP
Ceila Santos, 14/07/2008, 13:31 - São Paulo/SP
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